Identificação do risco, fonte, exposição, severidade, probabilidade, classificação, medidas de controle, responsável e prazo. Os 9 campos que o auditor vai verificar no seu PGR.

O inventário psicossocial é o documento técnico central do compliance NR-1. É nele que a empresa demonstra ao auditor fiscal que mapeou os fatores de risco psicossocial, classificou cada um e propôs medidas de controle. A NR-1, no subitem 1.5.7.3.2, lista nove campos obrigatórios. Faltar qualquer um deles é motivo para o auditor questionar o documento.

Este artigo destrincha cada um dos nove campos, com exemplo de preenchimento e o que o auditor verifica.

Campo 1 · Identificação do risco

Descrição clara e específica do fator de risco psicossocial. Não basta "estresse" — precisa especificar a dimensão. Exemplos válidos:

  • Sobrecarga quantitativa de trabalho na função de operador de PA
  • Pressão por metas semanais na função de consultor comercial
  • Exposição a violência verbal de público externo no setor de atendimento

O auditor verifica: o risco está vinculado a função ou setor específico, não genericamente à empresa?

Campo 2 · Fonte geradora

O que origina o risco. Pode ser estrutural (modelo de gestão, jornada, sistema de metas), comportamental (estilo de liderança, conflitos interpessoais) ou externo (contato com público, exigências de cliente).

Exemplo: "Modelo de meta semanal com ranking público interno entre operadores."

Campo 3 · Exposição

Quem está exposto, quantos trabalhadores e em que regime. É o campo que conecta o risco ao quantitativo de afetados — fundamental para o cálculo de multa caso a empresa seja autuada.

Exemplo: "82 operadores de PA em turno integral; 23 em turno noturno; total 105 trabalhadores expostos."

Campo 4 · Severidade

Gravidade potencial do dano à saúde, em escala definida pela própria empresa e justificada por método científico. Escalas usuais: leve · moderada · alta · crítica.

O auditor verifica: a escala usada tem critérios objetivos descritos? Ou o classificador foi subjetivo?

Campo 5 · Probabilidade de ocorrência

Chance de o dano se materializar, em escala definida pela empresa. Escalas usuais: rara · improvável · possível · provável · quase certa.

Exemplo: "Provável — taxa de afastamento por CID F no setor nos últimos 12 meses foi de 14%."

Campo 6 · Classificação de risco

Resultado da combinação severidade × probabilidade, tipicamente em matriz 4x5 ou 5x5. Cada célula da matriz tem cor e classificação (baixo · médio · alto · crítico).

O auditor verifica: a matriz tem critérios escritos? A célula resultante condiz com a severidade e probabilidade declaradas?

Campo 7 · Medidas de controle

Ações específicas para tratar o risco identificado, respeitando a hierarquia de medidas do subitem 1.5.5.2.1:

  1. Eliminação do risco na fonte (sempre prioritária)
  2. Substituição por alternativa menos perigosa
  3. Medidas coletivas (organizacionais, jornada, processos)
  4. Medidas administrativas (treinamento, instruções)
  5. EPI (último recurso)

O auditor verifica se a empresa pulou níveis. Exemplo de erro comum: oferecer treinamento (administrativa) sem antes ter considerado redesenho de processo (coletiva).

Campo 8 · Responsável

Pessoa nomeada responsável pela implementação da medida. Precisa ser pessoa identificável (cargo + nome), não área genérica. "RH" não basta — "Gerente de Pessoas" basta. Idealmente, com substituto formal em caso de afastamento.

Exemplo: "Responsável: Gerente de Operações; Substituto: Coordenador de Atendimento."

Campo 9 · Prazo de implementação

Data específica para conclusão da medida. Pode ser dividida em marcos (início, conclusão, primeira verificação). O auditor verifica se o prazo é proporcional à complexidade da medida — prazo absurdamente longo para medida simples é sinal de procrastinação documentada.

Exemplo: "Início em 01/06/2026; piloto em 3 setores até 31/08/2026; expansão total até 31/12/2026."

O que o auditor faz com o inventário

O auditor abre o inventário e percorre, risco por risco, verificando:

  1. Os nove campos estão preenchidos?
  2. O preenchimento tem coerência interna?
  3. Os riscos identificados são compatíveis com o setor e função da empresa?
  4. Há rastreabilidade até o diagnóstico que originou cada risco?

Inventário que falha em qualquer um desses quatro pontos é equivalente, para fins de fiscalização, a inventário ausente.

Como a MenteNR1 entrega o inventário

O resultado do diagnóstico psicossocial (COPSOQ III) alimenta automaticamente a estrutura do inventário. A plataforma gera os nove campos preenchidos, respeitando a hierarquia de medidas e a estrutura da NR-1. O resultado é exportado em PDF assinado com ICP-Brasil, pronto para anexar ao PGR geral conduzido pela empresa de SST.

O inventário psicossocial não é tabela genérica. É documento técnico vinculado aos dados do seu diagnóstico, com rastreabilidade de cada campo. Inventário "modelo" pego na internet não passa pela primeira fiscalização.

Fontes oficiais

Leituras relacionadas

Compartilhar